
“Lembra-te do dia de sábado, para o santificar. Seis
dias trabalharás e farás toda a tua obra. Mas o sétimo
dia é o sábado do Senhor, teu Deus; não farás
nenhum trabalho, nem tu, nem o teu filho, nem a tua filha, nem o teu
servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o forasteiro das tuas
portas para dentro; porque, em seis dias, fez o Senhor os céus
e a terra, o mar e tudo o que neles há e, ao sétimo
dia, descansou; por isso, o Senhor abençoou o dia de sábado
e o santificou.” Êxodo 20:8-11. |
|
Um dia para recordar
Em seu cativeiro, os israelitas até certo ponto
tinham perdido o conhecimento da lei de Deus, e haviam-se afastado de
seus preceitos. O sábado tinha sido geralmente desrespeitado, e
as cobranças dos maiorais de tarefas tornaram sua observância
aparentemente impossível. Mas Moisés mostrara a seu povo
que a obediência a Deus era a primeira condição de
livramento; e os esforços feitos para restaurar a observância
do sábado vieram a ser notados pelos seus opressores.1
Deus prometera ser o seu Deus e tomá-los para Si como um povo após
a milagrosa libertação do cativeiro egípcio. O suprimento
de provisões começara agora a diminuir. Como se deveria
suprir o alimento para aquelas vastas multidões? Dúvidas
enchiam o coração deles, e de novo murmuraram. Mesmo os
príncipes e anciãos do povo se uniram nas queixas contra
aqueles dirigentes que tinham sido designados por Deus.
Não haviam, até aquele momento, sofrido fome; suas necessidades
presentes eram supridas, mas temiam pelo futuro.2
Deus não Se esquecia das necessidades de Israel. Disse a seu guia:
“Eis que vos farei chover pão dos céus.” E foram
dadas instruções para que o povo apanhasse uma porção
para cada dia, e porção dupla no sexto dia, para que se
pudesse manter a sagrada observância do sábado.3
Pela manhã, jazia na superfície do solo “uma coisa
miúda, redonda; miúda como a geada”. “Era como
semente de coentro branco.” O povo chamou-o maná. Disse Moisés:
“Este é o pão que o Senhor vos deu para comer”
(Êxodo 16:14, 15 e 31).
Foi-lhes determinado que apanhassem diariamente um gômer [aproximadamente
três litros] para cada pessoa; e dele não deveriam deixar
para a manhã seguinte. Alguns tentaram guardar uma porção
até o dia seguinte, mas achou-se então estar impróprio
para alimento.
No sexto dia, o povo colhia dois gômeres para cada pessoa. “Isto
é o que o Senhor tem dito: Amanhã é repouso, o santo
sábado do Senhor: o que quiserdes cozer no forno, cozei-o, o que
quiserdes cozer em água, cozei-o em água; e tudo o que sobejar,
ponde em guarda até amanhã.” Assim fizeram, e acharam
que ficara inalterado. E Moisés disse: “Comei-o hoje, porquanto
hoje é o sábado do Senhor; hoje não o achareis no
campo. Seis dias o colhereis, mas o sétimo dia é o sábado;
nele não haverá” (Êxodo 16:23, 25 e 26).
Maná – Cada semana, durante sua longa
peregrinação no deserto, os israelitas testemunharam um
tríplice milagre, destinado a impressionar-lhes o espírito
com a santidade do sábado: uma dobrada quantidade de maná
caía no sexto dia, nada caía no sétimo, e a porção
necessária para o sábado conservava-se fresca e pura, enquanto
qualquer quantidade que se deixava de um dia para outro, em outra ocasião,
se tornava imprópria para o uso.4
Deus queria transformar a ocasião em que falaria a Sua lei numa
cena de terrível grandeza, à altura do exaltado caráter
da mesma. O povo deveria receber a impressão de que todas as coisas
ligadas ao serviço de Deus, deviam ser consideradas com a maior
reverência. O Senhor disse a Moisés: “Vai ao povo,
e santifica-os hoje e amanhã, e lavem eles os seus vestidos; e
estejam prontos para o terceiro dia; porquanto no terceiro dia o Senhor
descerá diante dos olhos de todo o povo sobre o Monte Sinai.”
Durante esses dias intermediários, todos deviam ocupar o tempo
em preparação solene para comparecer perante Deus.
A preparação fora feita, conforme o mandado; e, em obediência
a outra ordem, Moisés determinou que fosse colocado um obstáculo
em redor do monte, para que nem homem nem animal pudesse entrar no recinto
sagrado. Se algum se arriscasse a tão-somente tocá-lo, o
castigo seria a morte instantânea.
Na manhã do terceiro dia, volvendo-se os olhares de todo o povo
para o monte, o cimo deste estava coberto de uma nuvem densa, que se tornou
mais negra e compacta, descendo até que toda a montanha foi envolta
em trevas e terrível mistério. Então se ouviu um
som como de trombeta, convocando o povo para encontrar-se com Deus; e
Moisés guiou-os ao pé da montanha. Da espessa escuridão
faiscavam vívidos relâmpagos, enquanto os ribombos do trovão
ecoavam e tornavam a ecoar por entre as montanhas circunvizinhas. “E
todo o Monte de Sinai fumegava, porque o Senhor descera sobre ele em fogo,
e todo o monte tremia grandemente.” Tão terríveis
eram os sinais da presença de Jeová que as hostes de Israel
tremeram de medo, e caíram prostradas perante o Senhor.
E então cessaram os trovões; não mais se ouviu a
trombeta; a terra ficou calada. Houve um tempo de solene silêncio,
e então se ouviu a voz de Deus. Falando da espessa escuridão
que O envolvia, estando Ele sobre o monte, rodeado de um acompanhamento
de anjos, o Senhor deu a conhecer a Sua lei.5
Jeová revelou-Se não somente na terrível majestade
de juiz e legislador, mas como um compassivo guarda de Seu povo: “Eu
sou o Senhor teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão”
(Êxodo 20). Esse era o que agora falava a Sua lei.6
Decálogo – Como símbolo da autoridade
de Deus, e incorporação de Sua vontade, foi entregue a Moisés
uma cópia do Decálogo gravada pelo dedo do próprio
Deus em duas tábuas de pedra (Deuteronômio 9:10; Êxodo
32:15 e 16), para que, de maneira sagrada, fosse colocada no santuário,
o qual, depois de construído, deveria ser o centro visível
do culto da nação.7
A lei não fora proferida naquela ocasião exclusivamente
para o benefício dos hebreus. Deus os honrou, fazendo deles os
guardas e conservadores de Sua lei, mas esta deveria ser considerada como
um depósito sagrado para todo o mundo. Os preceitos do Decálogo
são adaptados a toda a humanidade, e foram dados para a instrução
e governo de todos. Dez preceitos breves, compreensivos, e dotados de
autoridade, abrangem os deveres do homem para com Deus e seus semelhantes;
e todos baseados no grande princípio fundamental do amor.8
O sábado não é apresentado como uma nova instituição,
mas como havendo sido estabelecido na criação. Deve ser
lembrado e observado como a memória da obra do Criador. Apontando
para Deus como Aquele que fez os céus e a Terra, distingue o verdadeiro
Deus de todos os falsos deuses. Todos os que guardam o sétimo dia,
dão a entender por este ato que são adoradores de Jeová.
Assim, o sábado é o sinal de submissão a Deus por
parte do homem, enquanto houver alguém na Terra para O servir.
O quarto mandamento é o único de todos os dez em que se
encontra tanto o nome como o título do Legislador. É o único
que mostra pela autoridade de quem é dada a lei. Assim contém
o selo de Deus, afixado à Sua lei, como prova da autenticidade
e vigência da mesma.9
Era propósito do Senhor que pela fiel observância do mandamento
do sábado, Israel fosse continuamente lembrado de sua responsabilidade
perante Ele como seu Criador e seu Redentor. Enquanto guardassem o sábado
no devido espírito, a idolatria não poderia existir; mas
se as exigências deste preceito do decálogo fossem postas
de lado como não mais vigentes, o Criador seria esquecido e os
homens adorariam a outros deuses.10
Nenhuma outra das instituições dadas aos judeus tinha o
objetivo de distingui-los tão completamente das nações
circunvizinhas, como o sábado. Era intenção do Senhor
que sua observância os designasse como adoradores Seus. Seria um
sinal de sua separação da idolatria, e ligação
com o verdadeiro Deus. Mas a fim de santificar o sábado, os homens
precisam ser eles próprios santos. Devem, pela fé, tornar-se
participantes da justiça de Cristo. Quando foi dado a Israel o
mandamento: “Lembra-te do dia do sábado, para o santificar”
(Êxodo 20:8), o Senhor lhes disse também: “E ser-Me-eis
homens santos” (Êxodo 22:31). Só assim o sábado
poderia distinguir a Israel como os adoradores de Deus.
Quando os judeus se apartaram do Senhor e deixaram de tornar a justiça
de Cristo sua pela fé, o sábado perdeu para eles sua significação.
Satanás estava procurando exaltar-se e afastar os homens de Cristo,
e trabalhou para perverter o sábado, pois é o sinal do poder
de Cristo.11
Santidade – Numa ocasião, por ordem do
Senhor, o profeta se pôs numa das principais entradas da cidade,
e aí apelou para a importância da santificação
do sábado. Os habitantes de Jerusalém estavam em perigo
de perder de vista a santidade do sábado, e foram solenemente advertidos
contra o seguir seus interesses seculares nesse dia. “Se diligentemente
Me ouvirdes”, o Senhor declarou, “e santificardes o dia de
sábado, não fazendo nele obra alguma, então entrarão
pelas portas desta cidade reis e príncipes, assentados sobre o
trono de Davi, andando em carros e montados em cavalos, eles e seus príncipes,
os homens de Judá, e os moradores de Jerusalém; e esta cidade
será para sempre habitada” (Jeremias 17:24 e 25).
Esta promessa de prosperidade como recompensa de obediência foi
acompanhada por uma profecia de terríveis juízos que cairiam
sobre a cidade, caso seus habitantes fossem desleais a Deus e Sua lei.
Se as admoestações para obediência ao Senhor Deus
de seus pais e a santificação de Seu dia de sábado
não fossem atendidas, a cidade e seus palácios seriam totalmente
destruídos pelo fogo. Mas o chamado ao arrependimento e reforma
não foi atendido pela grande massa do povo.12
“Por isso, o Senhor fez subir contra ele o rei dos caldeus... Os
que escaparam da espada, a esses levou ele para a Babilônia, onde
se tornaram seus servos... até ao tempo do reino da Pérsia;
para que se cumprisse a palavra do Senhor, por boca de Jeremias...”
II Crônicas 36:17, 20 e 21. (Ver Jeremias 25:9-12.)
Referências:
1. Patriarcas e Profetas, pág. 258.
2. Ibidem, pág. 292.
3. Ibidem, pág. 294.
4. Ibidem, págs. 295 e 296.
5. Ibidem, págs. 303 e 304.
6. Ibidem, pág. 305.
7. Ibidem, pág. 314.
8. Ibidem, pág. 305.
9. Ibidem, pág. 307.
10. Profetas e Reis, pág. 182.
11. O Desejado de Todas as Nações, págs. 283 e 284.
12. Profetas e Reis, págs. 411 e 412.
O
estresse e o descanso semanal
O princípio da felicidade
O ciclo semanal
Desde o princípio dos tempos
Um dia para recordar
Um santuário no tempo
Da alegria para a felicidade
Alegria eterna |
Um dia feliz
Tempo de curar
Tira-dúvidas
O sábado através dos séculos
A Bíblia ensina
Ele foi a Nazaré
A Lei de Deus
Sinal do poder criador |
|
 |