
"Na Criação, Deus estabeleceu o ciclo semanal para
que o homem pudesse reabastecer-se de novas energias. O Criador da
máquina sabia o que estava fazendo." |
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O estresse e o descanso semanal
por Rubens S. Lessa
O estresse foi chamado de “mal do século”
pela Organização das Nações Unidas (ONU),
em seu relatório geral de 1992. E esse nome continua sendo apropriado
para o século vinte e um, pois vivemos numa época de mudanças
cada vez mais profundas e freqüentes.
Vladimir Bernik, médico psiquiatra e coordenador da Clínica
de Estresse de São Paulo, revela: “Diversos pesquisadores
notaram que a mudança é um dos mais efetivos agentes estressores.
Assim, qualquer mudança em nossa vida tem o potencial de causar
estresse, tanto as boas quanto as más.” Segundo ele, o estresse
ocorre “de forma variável, dependendo da intensidade do evento
da mudança, que pode ir desde a morte do cônjuge –
o índice máximo na escala de estresse – até
pequenas infrações de trânsito ou mesmo a saída
para as tão merecidas férias”.
Conseqüências –
Esse mal moderno, de acordo com Marilda Novaes Lipp, psicóloga
especializada em estresse, pela PUC de Campinas, pode causar envelhecimento
precoce, obesidade, anemia e baixa imunidade. Num espectro mais amplo,
os sinais físicos mais comuns são: aumento da freqüência
cardíaca, tensão muscular, palidez, alteração
do sono, alterações digestivas, alteração
da função sexual, dermatoses, mudança de peso, quadros
alérgicos, baixa resistência a infecções e
queda de cabelo. Sinais psicológicos: depressão, sensação
de incompetência, desmotivação, tendência a
se sentir perseguido, tendência para o autoritarismo, isolamento
e introspecção, queda da capacidade de concentração,
etc.
Por tudo isso, não é exagero chamar
o estresse de “assassino silencioso”. Mas o médico
e psicólogo Gary Calhoun afirma que o estresse é o “tempero
da vida”. Estaria ele equivocado? Não. Na verdade, o estresse
não é um mal em si. E alguns até sugerem: “Sinta-se
exigido e agitado, mas não esmagado.” Quando, porém,
as pessoas têm dificuldade para se adaptar a novas circunstâncias,
o estresse torna-se negativo. Seja como for, todos nós enfrentamos
diariamente as pressões da vida, tanto no ambiente familiar quanto
no trabalho.
Existe saída – Quando
os tentáculos do estresse nos envolvem, experimentamos uma sensação
de incapacidade. Ficamos paralisados. As coisas não andam. Nossos
projetos e metas nos esmagam. Passamos a fazer parte da multidão
dos que choram, quando deveríamos estar vendendo lenços...
Em situações dessa natureza, desejamos um período
de folga, uma trégua. Procuramos, ansiosamente, uma válvula
de escape. Mas nem sempre somos bem-sucedidos, pois levamos todas as pressões
psicológicas para nossos supostos momentos de trégua.
Como somos estúpidos! Toda semana temos um dia de folga, mas não
sabemos aproveitá-lo para descarregar as pressões que nos
esmagam. Além de levarmos os problemas para esse espaço
de tempo, não descansamos coisa nenhuma. E assim, nesse ritmo “fórmula
um” da vida moderna, criamos outras situações de tensão
e ansiedade. Parece que somos movidos a adrenalina. Que sufoco!
Pensemos, porém, na solução. O ciclo semanal, de
acordo com os estudiosos, é uma das coisas mais preciosas que temos
ao nosso alcance. Após seis dias de trabalho, temos um dia para
relaxamento, descontração, prazer e alegria. Nossa máquina
mental e física, exausta e aos pedaços, clama por uma adequada
reparação. Mas, quase sempre, nos iludimos com paliativos,
pois nos estressamos exatamente com aquilo que deveria ser o nosso lazer,
nosso meio de escape e nossa restauração.
Recuperando a máquina –
A totalidade do ser humano é expressa na dimensão corpo/
alma/espírito. Quando qualquer uma dessas partes é prejudicada,
as demais sofrem. Por isso, o processo de recuperação deve
contemplar a totalidade do ser.
Na Criação, Deus estabeleceu o ciclo semanal para que o
homem pudesse reabastecer-se de novas energias. O Criador da máquina
sabia o que estava fazendo. À semelhança de um fabricante
de carros, conhecia e conhece os limites do ser que havia criado. Por
isso, Ele separou um dia em que pudéssemos jogar para escanteio
todas as nossas preocupações e ansiedades. E Deus não
somente separou um dia de trégua, mas nos deixou conselhos que
os psicólogos não podem contestar, e que valem para todos
os dias e momentos. Dois exemplos apenas: “O coração
alegre é bom remédio, mas o espírito abatido faz
secar os ossos” (Provérbios 17:22). “Portanto, não
vos inquieteis com o dia de amanhã, pois o amanhã trará
os seus cuidados; basta ao dia o seu próprio mal” (Mateus
6:34).
Na linha do tempo, há um imprescindível ciclo de sete dias.
E no final de cada ciclo, uma pausa milagrosa, uma pausa que refresca
e restaura.
O assunto desta revista fala sobre essa pausa de que todos nós
necessitamos: um dia sem estresse!
Continue lendo. Você e sua família merecem uma vida melhor.
Com qualidade total.
Rubens S. Lessa é teólogo e jornalista.
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